Brasil proteico

Material Sintético

NO INÍCIO era a água. Do caldo primordial dos aminoácidos ao oceano português das bússolas; era proa, promessa, pirarucu e Proteus (aquele deus marinho da mudança e da premonição).

Os da caravela falavam em fundar a terra, os da praia falavam em afundar a caravela. A pena na mão dos do mar. Que escreviam o presente como se fosse passado (em retrospectiva para a posteridade), pra dar mais cara de grande coisa. O povo nasceu feito de células de promessa; e com fome, muita fome.

NO MEIO era o ar. Das brisas alísias das quinhentas e catorze voltas ao redor do sol ao vento da internet; era andaime, satélite, sushi e título de eleitor (aquele papelzinho da mudança e da premonição).

Entre afundar e navegar, quase afogam virando pra trás. Gole gole gole lego gole golpe. Mas a ONU disse ‘esse povo agora come’. E com menos Proteus e mais proteína,

NO FIM deu tudo certo.